terça-feira, 28 de dezembro de 2010

sábado, 25 de dezembro de 2010

Liliana Cavani - Portier de nuit (Il Portiere di notte, 1974)




Descobrindo o cáustico mundo do exploitation film... Liliana Cavani surpreendeu-me com a as suas imagens austeras e hipnóticas...

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

«Aniki Bóbó», de Manoel de Oliveira, regressa às salas de cinema


Associado ao respectivo lançamento em DVD em cópia restaurada, a primeira longa-metragem de Manoel de Oliveira, «Aniki Bóbó», regressará ao cinema a 8 de Dezembro, acompanhada pelo primeiro filme do cineasta, «Douro, Faina Fluvial».

Mais de seis décadas após a estreia, a primeira longa-metragem de Manoel de Oliveira, «Aniki Bóbó», de 1942, voltará a ser exibida comercialmente nas salas de cinema, em Lisboa e no Porto, a partir de 8 de Dezembro, em cópia renovada.

A acção está associada ao lançamento do filme em DVD pela primeira vez, em versão restaurada e remasterizada em alta-definição, no formato 2K. Numa acção invulgaríssima em Portugal, o filme estará disponível em simultâneo em sala e «home video».

Associado a «Aniki Bóbó», será também exibido o primeiro filme de Oliveira, o incontornável e vanguardista «Douro Faina Fluvial», de 1931, também inserido no DVD e igualmente em versão restaurada e remasterizada. O filme estreou em complemento da primeira longa-metragem deAntónio Lopes Ribeiro, «Gado Bravo», e teve uma reacção explosiva à época, pateado em Portugal e elogiado no estrangeiro.

Adaptado de «Os Meninos Milionários», de João Rodrigues de Freitas, «Aniki Bobó», também produzido por Lopes Ribeiro, gira em redor da vivência de um grupo de crianças no Porto, nomeadamente o Carlitos (Horácio Silva), que rouba uma boneca para agradar à menina por quem se apaixonou, a Teresinha (Fernanda Matos)

Além dos dois filmes, o DVD integrará também, como complementos, o documentário «Famalicão», que Oliveira realizou em 1940, uma conversa com o realizador e os actores que, em crianças, interpretaram Carlitos e Teresinha, a peça da SIC sobre os 50 anos da estreia do filme e ainda uma extensa galeria de fotografias.

A edição integra ainda três versões de «Douro Faina Fluvial» (a original muda de 1931, a com música de Luiz de Freitas Branco de 1934 e a com partitura de Emmanuel Nunes, de 1994), e um depoimento de José Manuel Costa sobre o filme.

Tendo em conta a dimensão internacional de Oliveira, o DVD contará com legendas em inglês e francês.

Luís Salvado - 03-12-2010 11:00

Polémico e genial Jean-Luc Godard faz 80 anos



O realizador Jean-Luc Godard, que há meio século agitou o cenário cinematográfico europeu como parte da «Nouvelle Vague», comemora esta sexta-feira 80 anos. Os seus filmes continuam a inspirar cineastas do mundo inteiro, de Almodóvar a Tarantino.


O realizador franco-suíço alcançou a fama em 1960 com «O Acossado», seguido de clássicos como «Alphaville» e «O Desprezo». Mas depois de quase uma década de glória, Godard rompeu claramente com a indústria cinematográfica em maio de 1968.

Durante os últimos 30 anos Godard viveu recolhido na cidade suíça de Rolle, de onde esporadicamente lança filmes de autor para delícia dos seus fãs.

Este ano apresentou em Cannes «Film Socialisme» mas negou-se a ir ao festival, Este ano apresentou em Cannes «Film Socialisme» mas negou-se a ir ao festival, da mesma maneira que em 1968 as suas decisões políticas o levaram a realizar a sua pequena revolução nas escadarias nas escadarias que hoje vêem subir as maiores estrelas do mundo, para chamar a atenção sobre uma manifestação estudantil que acontecia paralelamente.

«Em meados dos anos 60, Godard era Picasso: eles eram os dois artistas mais famosos do mundo», resumiu Jean-Michel Frodon, ex-director da revista Cahiers du Cinéma, que sempre incentivou e deu destaque ao movimento da Nouvelle Vague.

«Ele foi a estrela de sua geração. E, até hoje, não é possível falar-se vinte minutos com David Lynch sem mencionar Godard. Ou com David Cronenberg, Gus Van Sant, Jim Jarmusch».

Godard primeiro foi crítico da lendária Cahiers du Cinéma, em conjunto com outras grandes figuras da Nouvelle Vague, incluindo François Truffaut e Claude Chabrol, este último recentemente falecido.

«Naqueles anos reinava um extraordinário amor pelos filmes e um espírito de rebelião contra a impressão de conformismo no cinema francês», explicou Jean-Michel Frodon.

O que trouxe afinal Godard ao cinema? «Uma nova forma de contar uma história, a duração das suas cenas, o uso rítmico da edição», explicou Frodon.

«Mas mais do que qualquer coisa, em cada um dos planos de Godard há uma beleza extraordinária. Ele é, sem dúvida, o cineasta que melhor filmou o céu, as árvores, a natureza - e mulheres também, embora nesta área ele tivesse mais concorrência», prosseguiu.

Godard reinventou uma linguagem do cinema que continua a inspirar cineastas como David Lynch, Pedro Almodóvar, Quentin Tarantino, Gus van Sant e Mathieu Amalric.

O realizador, que adquiriu a nacionalidade suíça aos 21 anos, afirma que decidiu instalar-se na cidade de Rolle há 30 anos com sua companheira Anne-Marie Miéville porque é, diz ele, «um lugar qualquer».

«As pessoas deixam-no tranquilo. Ele tem os seus hábitos, passeia com o seu cão, vai ao café na rua principal, compra o seu jornal, os seus cigarros. É alguém muito simples», concluiu Frodon.

«Tenho a sensação de que ele não quer que celebremos este momento. Ele olha para o futuro e seu último filme é incrivelmente moderno. Quando olhamos para o seu trabalho, parece que ele tem 20 anos», resumiu Frederic Maire, da Cinemateca Suíça.

SAPO/AFP

SAPO Cinema - 03-12-2010 18:20